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segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Sintomas

Ontem à noite, não me agradou o facto de Sócrates ter começado o seu discurso de vitória, ainda no Altis, a dirigir-se aos seus caros amigos e camaradas e não aos portugueses, que foi quem deu ao seu partido a maioria absoluta. Mas, logo de seguida, achei que eu é que estava a ser mauzinho. No entanto, cerca de uma hora mais tarde, António Barreto e Marcelo Rebelo de Sousa também salientaram esse ponto, apesar de até atribuírem a questão à inexperiência do líder do PS.
— Foi o coração a falar — disse, então, Marcelo.
Talvez tenha sido, mas parece-me sintomático, conhecendo o que conhecemos do partido que formará o próximo governo. Além disso, penso eu agora, mais a frio, Sócrates levava o discurso alinhavado num papel. E é, no mínimo, esquisito que depois de toda uma noite para escrever um discurso ele lhe tenha saído daquela maneira. Significará isto que o homem está pouco habituado a consultar as opiniões dos outros, mesmo quando eles são companheiros de partido? Não poderia ele ter mostrado o discurso a alguém? Ou até mostrou, mas esse alguém concordou com a forma?

publicado por zedtee às 10:16