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domingo, março 20, 2005
Aqui fica um texto que subscrevo inteiramente, da autoria do João Vieira e publicado no Brados do Alentejo desta quinzena, suponho que na rubrica A meu ver. Escrevo suponho, porque mais uma vez não recebi o jornal no dia certo, apesar de ser seu assinante. E como os meus afazeres profissionais ao longo da semana não me deixaram disponibilidade para visitar a Redacção, o que até faço frequentemente, tive de me socorrer da reduzida edição on-line de acesso livre para saber as últimas cá do sítio.
Um apontamento final: eu e o Vieira somos da mesma geração.
Em finais da década de 70 do século XX concluí o que actualmente se designa por Ensino Secundário. Como tal, tive o meu baile de finalistas para angariar dinheiro para a excursão que nos levaria ao Algarve.
Lá fui eu para o baile, usando a roupa normal de todos os dias, lá vendi uns bilhetes e umas minis.
O baile de finalistas resumia-se a isso: a um baile. Música com grupo rock de Lisboa mediamente famoso, umas comidas, bebidas e nada mais. Só a "malta jovem" é que comparecia: nada de pais, irmãos ou tios.
Depois de um ano a ver televisão (o chamado ano propedêutico), apanhei o expresso para a Universidade em Lisboa onde não me esperavam capas ou praxes hoje, qualquer instituto criado a semana passada tem à nascença uma tuna, um traje académico e praxes muitas vezes de mau gosto e humilhantes.
Hoje as coisas estão bastante diferentes digo eu com a experiência de já ter descendentes que foram finalistas e também por motivos da minha profissão.
Há poucas semanas, lá estive presente como pai no baile de finalistas da Escola Secundária Rainha Santa Isabel de Estremoz.
Agora vai toda a família com os seus fatos domingueiros, muitos aproveitam para jantar e os alunos esmeram-se na imagem. A qualidade da música pouco interessa, aquilo não é já verdadeiramente um baile.
Recebem pastas e fitas dos professores; elas com os seus vestidos de noite, penteado elaborado e maquilhagem a preceito, eles de fato e gravata.
Quando vou a estes bailes de finalistas sinto-me sempre transportado para uma cópia nacional de um filme de adolescentes americanos.
Enquanto jantava e aguardava que a minha filha recebesse a sua pasta com as fitas, lá aceitei que, gostos à parte, as coisas mudam.
Mas tudo muda? A meu ver, não!!! Ao ver passar tantos jovens, lembrei-me da cara de muitos dos meus colegas finalistas e há uma coisa que não mudou: eles vão-se embora!
Hoje, como no meu tempo, o nosso concelho, o nosso distrito e a nossa região não conseguem criar condições para suster a hemorragia demográfica.
Quantos destes finalistas de 2004/05 se fixarão em Estremoz? A meu ver, infelizmente, muito poucos... tal como no meu tempo!
Uma terra sem jovens é uma terra sem futuro e como temos um novo Governo apelo a que esta maioria olhe com mais atenção para o interior do país.
Não será altura de implantar políticas de discriminação positiva que ajudem a fixar os jovens nas suas terras de origem?
Não será altura de implantar a regionalização? Lembro que o que foi votado em 1998 foi um modelo específico de regiões e não a própria regionalização que continua a ser um imperativo constitucional. Na altura, nós alentejanos dissemos SIM à regionalização, recordemos também.
A meu ver, este êxodo populacional é já uma catástrofe e preocupa-me...
A meu ver, é um tema mais importante do que o de poder comprar ou não um xarope para tosse nas bombas de gasolina ou no hipermercado.
João Carlos Vieira
publicado por zedtee às 12:49