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quinta-feira, janeiro 31, 2008
Um comentário censurado
Segue, tal como o recebi, um comentário, incómodo, naturalmente, deixado pelo amigo Nicolau Saião numa publicação on-line que não esteve pelos ajustes e se comportou como se dum poço sem fundo se tratasse. É-me desnecessário escrever sobre o assunto, porque está tudo ali e eu apenas usaria uma forma um pouco diferente de apontar o mesmo.
BILHETE A UM HOMEM DE BEM ou REQUIEM POR MARINHO PINTO
Deixe que lhe endosse felicitações, doutor A. Marinho Pinto.
É minha convicção que, se V. Exa. continuar a falar alto e claro, vão triturá-lo, estragar-lhe a vida, insinuar que é um agitador senão mesmo um louco.
O sr. presidente do Sindicato dos magistrados já deu um sinal inquietante: V. Exa. não devia dizer o que disse, visto que de acordo com aquele notável cidadão e sindicalista, o doutor Marinho Pinto é um membro do Estado. Dadas as funções que desempenha, não devia dizer e cito de memória "o que se costuma dizer nos cafés".
E eu direi: benditos cafés, onde pelos vistos se fura o bloqueio de negrume que começa a cobrir-nos.
E mais: pelo que se entende, é nos cafés que se dizem as coisas - que partem da convicção geral - que em certos lugares expressos e estatais não se dizem mas deviam dizer-se. E mesmo descriptar-se.
Pelo que, sr. doutor, não lhe almejo grande futuro - a não ser que como sempre sucede passem por alto as suas afirmações como se fôssem fumo e, num passe de mágica ou numa finta, escondam esse "esqueleto", que o senhor acaba de destapar, no mais profundo armário.
Seja como fôr e mesmo que no futuro próximo o cubram de véus ou de opróbio, V. Exa. já prestou um enorme serviço ao Povo Português: abrir como que uma fresta por onde se soltou um livre e luminoso grito de indignação.
Que as pessoas do Povo, A NÃO SER NOS CAFÉS, por medo ou desesperança, já não se atrevem a soltar!
Bem haja, sr. Bastonário da Ordem dos Advogados!
Nicolau Saião
Nota - O dr. António Marinho Pinto, actual Bastonário da Ordem dos Advogados (cargo a que na recente eleição acedeu por maioria absoluta) deu uma entrevista à rádio na qual chamava vivamente a atenção para as "ligações perigosas" entre políticos dos governos e empórios argentários e comerciais.
Está neste momento obrigado a prestar declarações na Assembleia da República e foi-lhe aberto um inquérito pela Proc. Geral da mesma República.
(Texto enviado como comment, mas não publicado como ultimamente costuma ser cada vez mais frequente, ao Portugal Diário).
publicado por zedtee às 00:18
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